Sunday, November 06, 2005

A feijoada do blog-texto
Ostrovaldo Paulista, 06/11/2005
Estes novos acontecimentos de Paris, com toda a certeza, ainda hão ser estudados pela Universidade de Paris, protegida por seus gloriosos portões acadêmicos. Quando já frios e prontamente estruturados e explicados pelos mestres galeses, virá algum estudo na USP. O que me deixa um tanto "encafifado" é que algo semelhante aconteceu em Goianésia do Pará e muito pouco foi dito ou discutido. Acho que é porque lá não faz parte do Le Monde.
O mundo diplomático, polido e sempre com palavras bem intencionadas. Com a boa intenção do Lobo Mau diante da Chapeuzinho Vermelho. Pobre coitado do Lobo, mal sabia ele que Chapeuzinho fazia parte de uma quadrilha de exploração sexual infantil com fins de chantagear políticos em Brasília. Lobo Mau acabou tendo que desistir de sua campanha ao Senado Federal para apoiar algum Ministro do Supremo que tinha pretensões ao Planalto, mas como era novato na política, contentou-se com a vaga de Senador do Lobo Mau.
Tudo acaba em pizza no país do Carnaval? A capacidade de indignação continua a se esvair como sangue de pobre coitado midiatizado pelo maniqueísmo da TV. As palavras bem complexas, de significado duvidoso rearranjadas dão o tom pseudo-intelectual desejado. Nada melhor para um Blog do que um conjunto de palavras vazias, um nonsense pós-moderno, tudo em meio a uma feijoada de rídiculas sensações juvenis. Pouco nos importam Goianésia, a França ou a Política, senão para manifestarmos nossa cultura jornalística de orelha de livro.

Saturday, August 06, 2005

Bom, eu (Ostrovaldo Paulista) sem muitos assuntos para demonstrar toda a minha pseudo-intelectualidade, deixo um breve espaço para um amigo que há pouco conheci.


Pensamento Vão
As pessoas são um tanto engraçadas. A gramática nos permite o uso do diminutivo, e como bons executores da língua, damo-lhe, pouco a pouco, significações particulares. Por que de freqëntarem o nosso breve os inhos e inhas? Quando surge a ingerência do diminutivo? Acho que é quando gostamos de alguém a ponto de nos julgarmos íntimos dela. Uma expressão de proximidade.
As pessoinhas que povoam o nosso cotidiano, ao atender ao telefone, ao se encntrar no supermercado, ao dar tchau na rua, ao reencontro de férias, às vezes, sentem um certo descômodo pelo acréscimo diminuto – para mim carinhosa.
Lembro-me de que Vinícius de Morais, pesquisando sobre sua vida, chamava os seus queridos pelo diminutivo. Se ele que era a pessoinha que era fazia isso, eu não tenho mais argumentos a dar, tão somente, devo seguir-lhe a conduta.

Tuesday, July 26, 2005

Só uma retificação: foram oito (8) tiros e não cinco...

Sunday, July 24, 2005

Um perplexo elogio à loucura

Foi uma tragédia para Menezes e sua família, e eu lamento profundamente o ocorrido (...) Mas creio que a polícia está fazendo o melhor, sob as mais impressionantes condições, para fazer julgamentos difíceis e nos proteger. Por isso, eu os parabenizo”. E foi com estas palavras que o ministro da justiça britânico, Charles Clarke, se pronunciou diante da morte do brasileiro Jean Charles de Menezes.
Não cabe a mim fazer um esboço coronológico do assassinato desse rapaz, muito menos transformá-lo em um mártir. Cabe a mim, como um ser humano, ficar indignado. Supõe-se que a racionalidade humana, esse seu caráter distintivo dos outros animais, tornaria as pessoas menos agressivas. O que se vê, no entanto, é constantemente a repetição de violência com atos lembrando o instinto de lobos famintos disputando uma caça, despedaçando-a.
Parabenizar a violência gratuita e considerar o assassinato de um caminhante como parte das ações bem concretizadas da luta contra o terrorismo, colocando-os num mesmo plano de valor é, no mínimo, revoltante. A começar pelo paradoxo que isso representa: um erro policial, a morte de um inocente e a colocação do Mr. Clarke, que disse “só ter elogios e admiração” para com a maneira como a polícia agiu.
Ação contraditória quando se sabe dos cinco tiros desfechados contra o rapaz, na nuca e na cabeça. Por que não atirar na perna e nos braços para imobilizá-lo? Por que “peneirar” a cabeça da vítima, se não era para matar era para que? Contradição que se evidencia mais ainda no momento em que tais atitudes são para manter o equilíbrio da sociedade, para protegê-la do Terrorismo...Ora mas tal ocorrência não é uma forma de terrorismo, não uma intimidação, não é uma prática truculenta e torpe?
Estamos falando de policiais, eles têm consciência do que fazem, recebem orientação de como agir em situações extremas – espera-se isso da polícia, ainda mais da milícia inglesa que só pode usar armas de fogo com autorização de superiores – eles atiraram para matar. E a intencionalidade do ato definitivamente não é merecedor de elogios e admiração, mas sim de estarrecimento, de revolta, de indignação.
O fato é: o Terrorismo não é uma prática mulçumana, ele é generalizado. Por mais que se apregoe a concentração de renda dos países ricos graças à exploração do resto do mundo (pobre), esta visão simplista não atinge os dirigentes das super potências, não chega nem a suscitar-lhes a insônia. Mesmo porque eles estão muitíssimo ocupados em lutar contra a violência do oriente. Assim, perdemo-nos em ensaios espirais, cada vez mais abrangentes acerca do que mesmo?

Thursday, July 21, 2005

Perguntas, perguntas, perguntas...Respostas?

Sócia de Duda sacou de conta de Valério”. É com esta manchete que a Folha de São Paulo abre hoje. Diz, ainda, na primeira página: “Zilmar Fernandes da Silveira, sócia do publicitário Duda Mendonça, aparece como sacadora de R$250 mil da conta da SMPB, agência de Marcos Valério de Souza, acusado de ser o operador do ‘mensalão’”. Bom, com essas informações, se verossímeis, estamos diante de um grande problema (óbvio). A minha primeira questão é: se pego o dinheiro, para que fins? Ademais, houve negociações ainda em campanha? Enfim, unamos as duas, por que do recebimento?
Em meio a toda essa campanha midiática de “mensalões”, malas, cuecas o governo federal tem feito de um tudo para se distanciar das acusações. Porém, se Dirceu esteve como ministro, ligado diretamente ao Gabinete Presidencial (não esqueçamos de sua função de costura política na Casa Civil), como que Lula não sabia do que acontecia em sua volta? Será que dinheiro cai do céu? Ou então, quais as atribuições do Presidente da República?
Infelizmente, não posso dar respostas, a isso já há uma CPI, para tentar obtê-las. No entanto, fica aqui minha indignação! Se o presidente Lula estiver envolvido com o esquema de pagamento de propina a deputados, será a História se repetindo. Demonstra-se-á que ainda vivemos numa democracia frágil, que o caso Collor não foi suficiente para aprendermos a vivência democrática.O problema definitivamente não é se Luiz Inácio está envolvido ou não; a grande celeuma é o tripé em que os brasileiros, muitas vezes, se impõem: Estado, Povo e Eu, como se não fôssemos parte do Povo, ‘Porque o povo é sofredor, é trabalhador...’; como se o Estado não fosse nossa representação: ‘O dinheiro é do governo, o Estado tem que resolver...’ e; como seu o Eu estivesse distanciado, obsrvador e impotente: ‘Que eu posso fazer?’. Talvez se nos posicionando enquanto agentes sociais, enquanto povo, enquanto pagadores de impostos, enquanto proprietários coletivos da Coisa Pública, quiçá assim, as perguntas todas feitas acima não fossem respondidas...
Bem, em meio a tantas malas, a tantas denúncias, gostaria aqui de denunciar - como meu primeiro texto - que sou um cabotino convicto; romântico inveterado e um admirador da boemia. Sem mais para o momento, volto a escrever mais tarde...